#Budismo#meditação

Compartilhando experiências no caminho

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Os passos que marcarão minha existencia aqui

Os passos que marcarão minha existencia aqui deverão ser quase invisiveis. Eles deverão ser capazes de marcar a minha experiência o meu legado sem nunca ultrapassar as fronteiras do aceitável. Sou apenas levada por minhas lembranças, me perdoem se não posso lutar contra todas estas vivencias pois elas são somente eu nada mais.

Não quero me privar da felicidade, mas tento manter a minha etica pessoal de em nada prejudicá-lo, se não for possível que seja apenas aquela medida que você tavez deva receber também.

Não quero apenas passar por aqui, quero servir, amar, deixar imagens boas em sua mente, em sua vivência em seu fluxo nesta vida. Quero acima de tudo fazer parte, sentir isso e acima de tudo acreditar que isso é possível.

Me perdoe se minto, me perdoe se desejo, me perdoe se mato, sou assim humanamente imperfeita, mas amo minha loucura, minha maldade, meu sadismo, minha insensatez pois somente através do amor poderei transformar estes meus enganos em energias positivas e através desta alquimia amorosa transformar todas estas emoções em parte de meu ser curado, livre para vagar pela imensidão da mente perfeita.

Sou tudo isso, e não sou nada, somos eu e você....amo toda esta perfeição, esta imperfeção também, amo estar viva, amo você e cada um que ao meu lado estiver, e  a cada um que longe está.

Que estas minhas pegadas leve  algum ser em desespero a me achar e que eu possa ao seu lado estar e mostrar quão maravilhoso é viver e se deixar amar.

sábado, 10 de setembro de 2011

O insite e a tsunami

Uma vez durante um ensinamento ouvi a seguinte frase : Tudo é perfeito¨. Aquilo bateu forte em minha mente como uma verdade incontestável mas ao mesmo tempo eu não tinha meios de explicar o por que. Ainda não havia a capacidade para uma percepção melhor sobre este meu entendimento¨.

O Darma possui estas particularidades. Conforme vamos livrando nossa mente de toda esta nebulosidade, nossos conceitos e padrões, vamos eliminando os tão falados véus e podemos aos poucos perceber pequenos espaços luminosos que nos proporcionam um vislumbre de sabedoria.

Ao iniciarmos a limpesa de nosso ¨disco rígido¨vamos criando espaços para uma melhor compreensão dos ensinamentos nas palavras de nossos professores, os quais procuram meios de nos ensinar compartilhando suas próprias experiências, suas realizações, e é nesse terreno que acontecem os ¨insites¨, quando nos tornamos ¨vazios, limpos para recebermos suas palavras.

Estes são momentos muito importantes da prática onde tenho contato com a minha própria experiência com meu próprio entendimento. É quando este entendimento nos toca de uma maneira tão profunda que chega a tirar o fôlego. Nos damos conta de quão perto estava, aliás de que estava todo o tempo ali e tivemos que ouvir tantas e tantas vezes de tantas maneiras diferentes para entender.

Com relação a observação ¨tudo é perfeito¨, o meu entendimento me fez perceber que o fato de existir a imperfeição já é uma prova da existência de seu contraponto. Quantas vezes já não ouvimos teses filosóficas de que sem o mal não haveria o bem, sem o feio não existiria o belo, sem a tristeza, não experimentaríamos a alegria e sem a sabedoria não nos daríamos conta de nossa imensa ignorância, e assim por diante.

Em nosso mundo dual, percebo que tudo se processa dessa maneira, a forma faz surgir sua antítese.

Uma imagem me marcou profundamente este ano, a imagem da Tsunami varrendo o japãp. Lenta e inexorávelmente deslizando, arrastando tantos seres.  Sem julgamento ela vinha tolhendo todas aquelas existências, sem julgar seus atos, apenas limpando tudo e criando uma nova realidade, um novo mundo. Triste é claro, amamos nossos companheiros nesta jornada, nos emocionamos, sentimos raiva por nossa impotência, mas a onda simplesmente estava lá e não se podia fazer absolutamente nada.

Juntando diversos ensinamentos, a imagem da onda me trouxe a percepção de que somos esse processo contínuo em mutação se movendo constantemente ao sabor da causa e efeito, o carma.

Cada um de nós segue como um fluxo, com suas marcas criando sua próxima existência e ao mesmo tempo um número incontável de fluxos de todos os seres senscientes também compondo essa onda caminhando juntos, criando mundos.

Como nós seres tão deludidos podemos negar tamanha perfeição? A cada segundo nos tornamos outro ser, dentro desse estado contínuo de movimento em bloco. Então percebemos a afirmação de que todos caminhamos juntos interagindo uns com os outros para formarmos esse mundo onde vivemos agora, completamente conectados  pelas causas e efeitos de nossos atos. Portanto, não posso generalizar nada baseada em minhas referências. O que posso perceber é a lógica do ensinamento sobre os 4 kayas, numa linguagem simples: a essência,  sua energia em movimento , a  manifestação em todas as forma e a sua unidade já que não estão em momento algum separados.

O que me acontece nessa vida é sim o resultado desta energia que proporcionou a minha manifestação neste mundo, e esta manifestação ao mesmo tempo depende de infinitas vidas de onde venho me deslocando nessa imensa tsunami de energia fluindo, se movimentando e se manifestando neste numero infinito de seres.

Percebi a maravilha desta oportunidade, quando nos apercebemos tão insignificantes para mudar o fluxo de nossa existência mas ao mesmo tempo termos a possibilidade de perceber mais dela e através desta percepção melhorar os rumos que ela vai tomar. Somente com o ato de amar, de nos abrir, nos deixar ir, desapegar, sem julgar. Somente sentir e compartilhar esse imenso amor , mesmo nos momentos de tristeza e dor, de horror e de insatisfação, pois os momentos de alegria são dádivas passageiras onde podemos descançar, nos recuperar para continuar a evoluir inexoravelmente nesta tsunami manifesta.