#Budismo#meditação

Compartilhando experiências no caminho

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Natal e Fim do Mundo???

E aí pessoal será que o mundo acaba? Incrível como não se fala mais no assunto, o povo é mesmo pirado, como pensar em fim do mundo com Natal e Réveillon pintando no pedaço não é mesmo.
Dia desses estava pensando que na verdade o mundo acaba todos os dias a todos os momentos , pelo menos para alguém. Então vamos esperar e ver como as coisas vão acontecer no dia D ou seja no dia F de final.
Incrível mas para mim uma das melhores coisas que aconteceram nos últimos tempos foi me safar das festas de natal, agradeço aos amigos que sempre me convidaram pois com essa vida meio nômade acabamos nos afastando das relações familiares, mas não se preocupem sempre acho alguma coisa legal para fazer nesse dia, afinal tem que aproveitar a boa vontade das pessoas, a energia celestial que toma conta de todos.
Sempre tivemos festas padrão em casa com  minha mãe começando os preparativos uma semana antes. No dia aquele clima todo, tomar banho se arrumar esperar a ceia. Morrendo de sono e fome, olhos inchados de chorar...sei lá sempre chorei em natais, na verdade nem sei porque mas era uma angústia, uma coisa de coração apertado, muitas pessoas já compartilharam comigo a mesma experiência.
Não sei, acho que desde menina trago essa tristeza com relação a natal, talvez algum acontecimento do passado ou só um dia chato pensando num montão de gente triste. Mas no final das contas  sempre será uma referencia na reunião familiar, para o bem e para o mal. As vezes era cada confusão e saia justa...Faz parte.
Mas porque falar de Natal e Fim do Mundo? Sei lá. As vezes ligamos coisas absurdas umas as outras porque talvez por trás exista algo que não conseguimos perceber, algo que mudou, algo que morreu.
Prefiro pensar que com o tempo conquistamos a liberdade de não fazer mais o que não queremos pelo simples fato de não precisarmos fazer.
Porque comemorar o natal se não temos mais aquela relação familiar, se não somos mais crianças ? Então finalmente descubro que papai noel sempre existiu , acho que em algum momento em minha infância me disseram que ele não existia e criei um trauma, por isso essa tristeza inexplicável. Portanto  gente nada de dizer as crianças que papai noel e  coelhinho da pascoa não existem, deixem que elas descubram por si mesmas.
Opa!! Afinal descobri a ligação com o fim do mundo, me falaram que ele não existia e eu estou acreditando, será que o efeito papai noel vai funcionar ao contrário? Que meda.
Mas enfim, Feliz Natal e Ano Novo a todos, e olha que se não acabar, o mundo tem a oportunidade de renascer muito mais fortalecido, e quem sabe acreditemos mais nele. Boas Férias!!!

domingo, 4 de novembro de 2012

Mestre e Aluno

 A maior gratificação do professor é que seus alunos pratiquem e sejam o darma.  Assim sendo, a necessidade de agradecimento e oferecimento de qualquer coisa se torna secundária, o que não seja a sua prática é superficial e não cria a verdadeira motivação de um bodhisattva. Com a prática todo o restante vem com alegria e desapego.
Conforme praticamos percebemos as reais necessidades dos companheiros, dos professores e de todos os seres. Ao doarmos nosso tempo a prática, doamos ao mesmo tempo nossa alegria e engajamento. Percebendo a verdade nos ensinamentos, somos tocados pela gratidão, mas somente praticando podemos realizar a real necessidade de estarmos conectados com nosso mestre. Nosso professor é nossa ligação com a experiência, mas ele somente pode nos mostrar o caminho. Para experienciarmos o ensinamento é necessário estar disponível todo o tempo para o darma, ele se insere em nossa vida e vai tomando todos os espaços até que realizamos que na verdade somos o darma, todo ele está em nós, latente, fortemente enraizado em nossa existência e já não podemos mais nos afastar pois não podemos fugir de nós mesmos.
A gratidão com o mestre, com o professor é na verdade a ligação que temos com essa verdade compartilhada. Através da dedicação deste ser humano compreendemos o real significado de compaixão e doação pura e simples

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A Semente e o Vento

 
 
A semente se entrega ao vento, se larga se deixa
Sem medo, sem planos, ao vento
Carrega em si o universo autêntico
Todas as memórias do tempo

A semente se entrega e canta
Ser flor, ser fruta, ser árvore ou gente
Apenas semente, pois como semente já é tudo e todos

O tempo não existe
Se condensa no ínfimo espaço vivente
Semente atemporal, infinita adormecida e dormente

Semente, somente
Futuro...presente....infinito perene
Flor, fruta, árvore ou gente

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Impermanência dos Momentos


O Fluxo

Gostaria de compartilhar uma experiência muito legal com vocês. Hoje vou falar sobre nossa muito conhecida impermanência. Nos vários ensinamentos que tivemos a oportunidade de ouvir, sempre há uma explicação recorrente a impermanência de todas as coisas, dentro deste fluxo ininterrupto que é a nossa existência.
Eu particularmente sempre tive dificuldade em entender este ponto como uma experiência apesar de entendê-lo intelectualmente. A partir de uma vivência pessoal tentei aplicar o treinamento e obtive vivencias muito esclarecedoras.
Como funcionou na minha experiência?
Entender o fluxo nos possibilita compreender todo este processo dos momentos felizes/infelizes. Quando estamos passando por uma fase positiva as coisas fluem ao redor, e mesmo as pessoas com quem você convive parecem estar no mesmo movimento salvo raras exceções e estas geralmente são pessoas com que não mantemos uma relação muito próxima.
As coisas dão certo, você está seguro de si mesmo. Tudo parece estar nos eixos como deveria ser. Então relaxamos e nos desligamos dos nossos questionamentos, nossa prática se torna serena e gratificante. Pronto: podemos perceber o primeiro sinal de que alguma coisa está se movendo. Tá tudo muito certinho ai pensamos: “Poxa preciso parar com essas coisas de: Ahhh! Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem , Iiiii, vem coisa por ai, tá tranquilo demais”.
Acho que todos já “experienciamos” essas pequenas auto-profecias não é mesmo? E pensamos no velho fator da culpa de que não merecemos estar felizes por muito tempo com tanta infelicidade rondando a nossa volta. Enfim como é o processo?
Para mim pude perceber que quando este movimento se inicia as coisas começam a se complicar na nossa mente. Entramos num momento de turbilhão, questionamentos, julgamentos. Todos nos parecem injustos, as coisas não são como deveriam ser, nos sentimos agredidos pela vida e começa todo um processo de autojulgamento e rebeldia. Ai está o ponto, se mantemos nossa postura egóíca somos incapazes de perceber o que ocorre a nossa volta, pois nos encapsulamos em nossos próprios problemas e somos incapazes de perceber o fluxo. Graças ao meu treinamento consegui afinal visualizar esse movimento e resolvi mudar a minha postura e minha visão da “coisa”.
Aos primeiros sinais da revolta contra tudo e todos resolvi mudar a posição do observador, de centro da ação para coadjuvante, e gente, foi incrível como tudo ficou claro dentro desse processo. Primeiro você percebe que ao fazer com que tudo gire a sua volta você deixa de perceber as nuances da participação das outras pessoas no processo, ou melhor ainda, de como o processo abarca todos a sua volta. Como um observador passivo, pude ver a nuvem se formando. Automaticamente, ao prestar atenção no outro e deixar minha posição egóica de lado, vi que as pessoas a minha volta começaram a ter momentos negativos de doença, disputas, tristezas, perdas, tudo muito claro, tão claro que me assustei com a obviedade daquele fluxo. Ainda pairam muitas questões, claro, mas só meus professores poderão me ajudar nesse caso, é muito pro meu caminhãozinho.
Então concluindo, façam o teste, mais que nunca agora acredito que estes momentos de harmonia na vida e dentro da prática são intervalos para se preparar para o “pancadão”. Claro que as marcas e os padrões “kármicos” de cada um vâo  indicar a intensidade e a durabilidade destes períodos, mas acredito que o processo é o mesmo. Então meu aprendizado a compartilhar: cuide de sua mente e intensifique sua prática nos momentos de harmonia, de segurança, use estes momentos para solidificar suas relações criando mais confiança com o outro e quando esse fluxo começar a se tornar negativo evite a qualquer custo à posição egóica de se voltar para si mesmo achando que tudo que acontece é por você ou para você e veja que a sua volta tudo entra no mesmo fluxo de tensão, pelo menos no que está  dentro de sua percepção, e então assim você entenderá que não é culpa de ninguém nem sua, que somente existe um padrão de mudança que faz com que tudo esteja onde deve realmente estar, e da maneira que tudo deve realmente acontecer e você poderá perceber a sincronicidade e a perfeição de cada momento. Então nesta postura você poderá ser realmente útil ao outro pois fora da posição egoísta poderá mesmo nos momentos difíceis ajudar pois esta é sua responsabilidade a partir do momento que lhe foi ensinado que deve ser assim, basta perceber, vivenciar o ensinamento, este é o nosso papel e nossa responsabilidade como praticantes.
Mas lembrando que isso vale para qualquer um, basta ter a sensibilidade e a vontade de olhar as situações de uma maneira mais abrangente, menos egoísta, intimamente já temos esta capacidade e já é um bom começo.
 
Texto revisado por : Paulo Rogério Ayres Lage

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Reflexões sobre o Bem e o Mal

Neste mundo dual em que vivemos sempre nos confrontamos com o bem e o mal, com a luz e a escuridão e assim por diante. Hoje querendo falar mais sobre o bem e o mal posso lembrar que temos ambas as possibilidades em nossa existência atual, este mundo dual é baseado em  pólos opostos pois um cria o outro automaticamente,  percebo que funciona assim:  o bem precisa do mal para ser percebido e o mal precisa do bem para ser percebido. Na minha experiência posso antever  os meandros de cada um através da atenção. Acredito  que somos originalmente bons, éticos. Nossa essência é claro não julga o ser ou não ser, mas existe algo que me faz acreditar que a bondade é a nossa essência básica manifestada, essa consciência original que não julga só pode ter se originado na luz, no lado positivo. Porque? Posso perceber que o mal produz um sentimento muito conhecido por nós , a culpa. Até certo momento podemos lidar com o mal, já que ele faz parte dessa nossa experiência, mas existem dosagens, limites aos quais precisamos estar atentos . A todo momento estamos lidando com pequenas maldades, aqui estou incluindo tudo relacionado a esse nosso lado negativo. Dependendo da graduação desta maldade podemos voltar e corrigir com nosso arrependimento sincero evitando assim a criação dessa marca . Do contrário quando ultrapassamos este limite, este ato  fica gravado em nossa mente e pode se enraizar , posso observar algumas graduações como: uma pequena maldade, daquelas que supostamente não fazem mal a ninguém , falar uma bobagenzinha daquela pessoa de quem não gostamos muito, inventar uma mentirinha para aparecer de alguma maneira, matar um bichinho porque está te incomodando, este tipo de maldade permeia nossa existência e aparece correntemente no nosso dia a dia principalmente no mundo dos negócios . Então podemos começar com estas, as mais perceptíveis e as quais podemos controlar com mais facilidade. Nos arrependemos, tomamos consciência da inutilidade delas em nossa vida e pronto, nos tornamos mais atentos. Quando passamos dos limites fica difícil  perdoarmos a nós mesmos que é o primeiro passo para um arrependimento sincero então o que acontece, geramos culpa,  essa culpa nos acompanha até o momento em que conseguimos nos arrepender sinceramente do ato feito e nos perdoamos. Você acha que isso é fácil? Não é não, porque não temos controle sobre esse sentimento, a culpa vem como vem a raiva, o ciume,  é incontrolável. Talvez não venha quando nos achamos sinceramente incapazes de cometer novamente aquele ato, e  percebendo que naquele momento fomos incapazes de controlar este mal em nós. É possível começar com as pequenas maldades, nos tornando cientes de que ao aceitarmos nossa  natureza dual  fazemos as pazes com nossos anjinhos e diabinhos e travamos um diálogo sério com eles. Melhor começar com os diabinhos , assim não passamos para a outra etapa quando nos confrontamos com a culpa  ou pior ainda quando esta marca se torna tão forte que se imprime em nossa mente e se enraíza como algo positivo que nos gera satisfação então perdemos o controle e a balança pende para o outro lado, nosso lado bom é encoberto pelo desejo, pela ambição desenfreada, pela beleza a qualquer custo e passamos por cima de tudo e todos porque acima  estamos nós. Então se criam os seres tomados pelo mal e a volta é muito difícil porque não enxergamos essa maldade como negativa, dai para o assassinato, para a tortura, para o desrespeito a vida é um passo, assim como o bem o mal quando toma posse verdadeiramente tem um poder imenso, o poder de criar assassinos confessos que acreditam estar do lado da verdade. Por isso precisamos estar sempre atentos para o mal já que o bem só nos faz o bem, percebem então essa relação com a nossa essência? Tá na cara não é mesmo.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ao "seu" Alceu


É chover no molhado falar da importância de Alceu Valença no cenário musical brasileiro. Poeta de primeira linha dentro da maravilhosa e única cultura nordestina, seus artistas sempre trouxeram a renovação mantendo os pés bem firmes nesta exemplar tradição poética. A junção do som de Alceu com a Orquestra de Ouro Preto veio provar a sofisticação e a beleza desta musica tão característica, um tesouro atemporal, traduzida em versos,  em loas e em cordel.
Meu primeiro contato com a musica de Alceu foi lá pelos idos de 1977,  me vi levada (meio que arrastada) para o show daquele cabeludo doidão que meus amigos teimavam em dizer que era sonzeira  pura. Eu na flor de meus 17 aninhos,  alucinada com o rock pesado e progressivo, como a maioria da  paulistada na época,  era meio avessa aquelas paradas de baiões e chotes e tal, mas a tribo ditava  e você ia lá conferir o que tava rolando e me deparei,  mesmo, com uma sonzeira danada e com a figura daquele mago louco  tomando conta do palco . Naquele momento tive contato com algo especial  da musica brasileira, e meus preconceitos começaram a ruir.
Era a época de Acabou Chorare dos novos Bahianos, do Pavão Misterioso de Ednardo, Geraldo Azevedo e tantos outros ditando inclusive comportamentos, moda e tudo mais,   um universo novo a espreitar. Claro que os Black Sabbats , Pink Floyds e Led Zeppelins continuaram lá mas se iniciava  uma época mais democrática, as tribos se uniam mais .
Enfim, fico super feliz de reencontrar este Pernonagem depois de tanto tempo,  um mestre porque me fez ver que existia algo além do meu pequeno universo musical, me abriu a cabeça e o coração para as coisas do nordeste, sua força, sua beleza agreste enfim, me senti mais orgulhosa de ser brasileira.
Meus disco preferido, como não poderia deixar de ser por causa de minha veia roqueira  foi o iniciático Espelho Cristalino de 1977. Incluí aqui este texto, muito bem escrito por sinal, que estava em um blog sobre rock  e achei perfeito para elucidar esta química que rolou:

Neste álbum, o "mago" Alceu, incorpora em seu cadinho, além de uma significativa porção de folclore nordestino brasileiro, uma generosa porção de rock, promovendo assim, um inusitado e original "fusion" entre o folclore nordestino e o Rock. Trata-se de um complexo e profundo arranjo musical, capaz de realizar a magistral alquimia da "transmutação" de estilos musicais absolutamente distintos,  resultando na completa impossibilidade de se determinar onde termina um e onde começa o outro. Com letras poéticas repletas de conteúdo político e crítico, um vocal "arretado" e por vezes até feroz, um conjunto de músicos excepcionais e de altíssima qualificação técnica, esse álbum se revela único e imperdível. Infelizmente este álbum, não chegou a agradar ao público habitual de Alceu. Acredito que o "alto teor" de rock envolvido na composição desse álbum, tenha de certa forma, afastado o seu público e este, por não conseguir entender a proposta musical, também não se interessou em adquiri-lo. É uma lástima, pois na minha opinião este álbum é um dos melhores trabalhos do "mago" Alceu, senão, o melhor.

Concordo em gênero, numero e grau. Tenho mais dois que completam esta  minha trilogia mágica que apesar de terem sido lançados antes vim a conhecer posteriormente que são o duo com Geraldo Azevedo - Quadrafonico e o maravilhoso Vivo .


Quadrafonico de 1972

Vivo de 1976

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Onda e o Surfista

Vem, se queres estou aqui...
Sou a força da água transformada em energia e te espero se queres
Admiro tua coragem pequeno ser, que volúpia, que desapego

Amo sua coragem e loucura pois me completas de alguma maneira

Não fosse sua impetuosidade, que seria eu, parede de água apenas
Quem poderia me admirar e temer ?

Eu sigo, me agrando em explosão e magnificência mas depois me deposito tranquila na areia
Você pequeno ser, se entrega uma, duas, três... tantas vezes

e tantas vezes abre mão desta existência
Como é bela a capacidade de esquecer que se pode morrer
apenas pelo fato de viver plenamente e inexoravelmente
Eu onda furiosa, bomba explosiva não tenho como me controlar e no final das contas
me abro, te recebo e te respeito apesar de sua aparente insignificância

Me sinto amada ao extremo neste momento pois sou temida e adorada e neste toque
tenho uma razão de ser maior, me torno estrela, star, sou algo mais

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ninguém quer sair da casinha

Todos conhecemos aqueles momentos mágicos que acontecem em nossas vidas de vez em quando. São aqueles momentos em que se unem diversos fatores que nos fazem perceber a magia das relações.
Aqui em Ouro Preto percebo cada vez mais esta sintonia que atrai pessoas interessantes. As vezes grupos se formam pela primeira vez e então tudo começa a fazer sentido quando falamos de hospitalidade.
Juntar pessoas diversas, com suas especialidades e conhecimentos, pessoas interessantes todas tendo o que falar e acrescentar a nossa vida são encontros mágicos que fazem com que cresçamos como pessoas, mas para que isso aconteça é necessário o “meio ambiente”.
Juntar pessoas é uma arte. Quando o espaço propicia então essa interatividade é melhor ainda.  É interessante ver quando a brasilidade se expressa em todas as suas características próprias.    Gaúchos, cariocas, mineiros, goianos, paulistas cada um com sua particular maneira de expressar e exaltar a sua cultura,  e no final das contas nos descobrirmos todos tão brasileiros, tão apaixonados . Assim é a casinha, modo como carinhosamente chamo a casa de meus queridos amigos. Reconstruída literalmente para abrigar um sonho de compartilhar uma vida em comum,  esta linda casinha tomou também o papel para si de um refúgio para alguns agregados recém-chegados como nós e também um cartão de visita para aqueles que querem conhecer Ouro Preto, sua história e seus causos.
A casinha é assim, seu coração pulsante como na maioria das casas mineiras na agradável copa cozinha com seu belo fogão a lenha. Ao fundo o pequeno jardim guarda seu mais antigo morador, o velho limoeiro “bonsai gigante” que encerra em cada fruto  o renascimento de suas memórias.
Como avaliar momentos tão particulares onde a literatura, a pintura, a poesia e tantos conhecimentos se encontram e fluem de maneira tão verdadeira. É belo ouvir do poeta sua criação, é como a mãe ao falar do filho, sentimento de quem pare e nutre.
A importância das pessoas não está no seu conhecimento adquirido, mas sim na sua generosidade em compartilhá-lo.
Por isso a casinha é tão especial,  e por isso agradeço todos os dias poder desfrutar destes momentos tão mágicos onde todos podem “ser” apenas e dividir algo.
Parabéns meus amigos, vocês conseguiram expressar  toda a generosidade e receptividade que habita em seus corações e materializaram tudo isso neste espaço tão charmoso e belo.
Obrigada aos artistas das palavras, dos traços e do conhecimento por dividirem comigo suas experiências  e seus sorrisos e abraços, isso é o que realmente vale a pena.
E meninas, adorei as tortas na cara, porque a casinha também acolhe muitas crianças, um cachorro temperamental mas muito amado e um papagaio doidinho chamado Brasil. Gente! Quer ambiente mais propicio para todas as nossas loucuras boas?
Este é um espaço do bem. Tashi Delek

Nas fotos: Eduardo Bueno (escritor e historiador), Paula  Taitelbaum(escritora), Sussuca (artista Plastico), Celina (museóloga), Carlos (poeta e empresário), Cris (professora de dança), Juliana (professora de francês), e eu apenas uma privilegiada.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ao Mestre com carinho

Hoje com a palavra Kalil Gibran

Em Vossa imaginação, construís um abrigo na floresta, aqui, contruís uma casa dentro dos muros da cidade.
Pois assim como regressais ao lar no crepúsculo, também o faz o andarilho dentro de vós, sempre distante e sózinho.
Vossa casa é o vosso corpo maior. Cresce ao sol e dorme no silêncio da noite, e tem seus próprios sonhos. A vossa casa não sonha? E sonhando, não deixa a cidade por uma clareira ou pelo topo de uma colina?
Se eu pudesse reuniria vossas casas em minha mão e, como um camponês, as semearia na floresta e nos campos.
Se eu pudesse, os vales seriam vossas ruas, e os caminhos verdejantes vossos becos, para que pudésseis procurar uns aos outros através dos vinhedos, e ter o perfume da terra em vossas roupas.
Diga-me povo de Orfalese, o que tendes nestas casas? O que guardais nestas portas trancadas?
Tendes paz, a silenciosa necessidade que revela seu poder? Tendes lembranças, os arcos cintilantes que ampliam os vértices da mente? Tendes beleza, que leva o coração das coisas feitas de madeira e pedra para a montanha sagrada?
Contai-me, tendes estas coisas em vossas casas? Ou tendes apenas conforto e o desejo de conforto, aquilo que entra ardilosamente na casa como um hóspede, depois torna-se anfitrião e mais tarde proprietário?
Sim e torna-se um domador e, com ganchos e cordas, faz marionetes de vossos maiores desejos.
As suas mãos são de seda, mas seu coração é de ferro. Ele vos faz dormir, só para ficar ao lado da cama e ridicularizar a dignidade da carne. Faz pouco do vosso bom senso e o deposita sobre algodão, como um frágil vaso.
Na verdade, o desejo de conforto mata a paixão da alma, e depois vai sorrindo ao funeral.
Mas vós, filhos do espaço, vós, inquietos no descanço, não caireis na armadilha nem sereis domados.
Vossa casa não será uma âncora, e sim um mastro.
Não será uma cintilante atadura que recobre uma ferida, mas uma pálpebra que guarda o olho.
Não dobrareis as asas para passar pelas portas, nem curvareis as cabeças para não bater no teto, nem tereis medo de respirar para que as paredes não rachem e caiam.
Não vivereis em tumbas feitas pelos mortos para os vivos.
E apesar da magnificência e do esplendor, vossas casas não guardarão seus segredos nem abrigarão vossos desejos.
Pois aquilo que é ilimitado em vós habita a mansão do céu, cuja porta é o orvalho da manhã, e cujas janelas são as canções e o silêncio da noite.

Kalil Gibran
O Profeta

sábado, 14 de janeiro de 2012

Amizade, equanimidade e desapego

Somente quando nos abrimos amorosamente para o outro podemos ter a noção real destas três palavras tão pouco utilizadas em nosso cotidiano. Ao perder minha companheira querida, minha cadelinha pude ver a extensão do amor que somos capazes de nutrir por todos os seres indiferente de sua condição atual neste mundo. Sei agora com certeza que o apego nos faz sofrer, mas ainda preciso criar uma certeza instintiva de que daqui vamos para um lugar melhor quando somos pessoas corretas e buscadoras da compaixão e sabdoria. Entendi com a perda que ainda preciso desenvolver mais esta certeza pois se ela já estivesse interiorizada em meu continuum mental eu não estaria sofrendo não é mesmo. Claro que já tive outras perdas, amigos, parentes, mas me pergunto porque esta perda me dói tão mais profundamente. É difícil ter uma resposta, acho que a maturidade , ou mesmo o fato de eu estar neste meu trabalho de desenvolvimento de amor e sabedoria, realmente fica a pergunta, somente saberei quando for enfrentar minha próxima perda que com certeza virá, mas posso apenas afirmar que é uma lição profunda e que me fará mais forte para enfrentar as proximas que virão, pois como disse Buda , viver é sofrimento, nesta esfera em que estamos permeada por desejo e apego sofremos o não ter mais, o não poder mais estar juntos. Estou me esforçando então para entender que não é assim que acontece, existe uma outra perspectiva a de que estamos conectados para sempre, que em outras vidas nos encontraremos de alguma maneira baseados em laços que criamos de atração mutua, para mim é uma verdade que não realizei, mas espero poder verdadeiramente realizar. Esta vida me ensinou e está me ensinando tantas coisas, me fazendo perceber tantas verdades que antes me pareciam fantasias. O fato de poder experienciar todas estas coisas e de poder pelo menos vislumbrar a possibilidade de realizá-las verdadeiramente as vezes me preenche as vezes me assusta pois sou apenas um ser pequeno, tão infimo perante tanta grandeza. Com a sabedoria tudo se torna tão intenso , o amor, a compaixão, a generosidade. As vezes me sinto exausta como agora e percebo que ainda sou tão despreparada para tanta intensidade. Então em minha insignificância tento ser forte para absorver todas estas descobertas mas me sinto frágil ainda. Minhas palavras exprimem minhas experiências que preciso compartilhar para mostrar como sou pequena, como não posso existir sem tudo que está a minha volta, sem o planeta, sem os animais, sem as plantas, sem os mares, os rios, sem a chuva e sem o sol e principalmente sem você.