#Budismo#meditação

Compartilhando experiências no caminho

sábado, 14 de janeiro de 2012

Amizade, equanimidade e desapego

Somente quando nos abrimos amorosamente para o outro podemos ter a noção real destas três palavras tão pouco utilizadas em nosso cotidiano. Ao perder minha companheira querida, minha cadelinha pude ver a extensão do amor que somos capazes de nutrir por todos os seres indiferente de sua condição atual neste mundo. Sei agora com certeza que o apego nos faz sofrer, mas ainda preciso criar uma certeza instintiva de que daqui vamos para um lugar melhor quando somos pessoas corretas e buscadoras da compaixão e sabdoria. Entendi com a perda que ainda preciso desenvolver mais esta certeza pois se ela já estivesse interiorizada em meu continuum mental eu não estaria sofrendo não é mesmo. Claro que já tive outras perdas, amigos, parentes, mas me pergunto porque esta perda me dói tão mais profundamente. É difícil ter uma resposta, acho que a maturidade , ou mesmo o fato de eu estar neste meu trabalho de desenvolvimento de amor e sabedoria, realmente fica a pergunta, somente saberei quando for enfrentar minha próxima perda que com certeza virá, mas posso apenas afirmar que é uma lição profunda e que me fará mais forte para enfrentar as proximas que virão, pois como disse Buda , viver é sofrimento, nesta esfera em que estamos permeada por desejo e apego sofremos o não ter mais, o não poder mais estar juntos. Estou me esforçando então para entender que não é assim que acontece, existe uma outra perspectiva a de que estamos conectados para sempre, que em outras vidas nos encontraremos de alguma maneira baseados em laços que criamos de atração mutua, para mim é uma verdade que não realizei, mas espero poder verdadeiramente realizar. Esta vida me ensinou e está me ensinando tantas coisas, me fazendo perceber tantas verdades que antes me pareciam fantasias. O fato de poder experienciar todas estas coisas e de poder pelo menos vislumbrar a possibilidade de realizá-las verdadeiramente as vezes me preenche as vezes me assusta pois sou apenas um ser pequeno, tão infimo perante tanta grandeza. Com a sabedoria tudo se torna tão intenso , o amor, a compaixão, a generosidade. As vezes me sinto exausta como agora e percebo que ainda sou tão despreparada para tanta intensidade. Então em minha insignificância tento ser forte para absorver todas estas descobertas mas me sinto frágil ainda. Minhas palavras exprimem minhas experiências que preciso compartilhar para mostrar como sou pequena, como não posso existir sem tudo que está a minha volta, sem o planeta, sem os animais, sem as plantas, sem os mares, os rios, sem a chuva e sem o sol e principalmente sem você.