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Compartilhando experiências no caminho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ao Mestre com carinho

Hoje com a palavra Kalil Gibran

Em Vossa imaginação, construís um abrigo na floresta, aqui, contruís uma casa dentro dos muros da cidade.
Pois assim como regressais ao lar no crepúsculo, também o faz o andarilho dentro de vós, sempre distante e sózinho.
Vossa casa é o vosso corpo maior. Cresce ao sol e dorme no silêncio da noite, e tem seus próprios sonhos. A vossa casa não sonha? E sonhando, não deixa a cidade por uma clareira ou pelo topo de uma colina?
Se eu pudesse reuniria vossas casas em minha mão e, como um camponês, as semearia na floresta e nos campos.
Se eu pudesse, os vales seriam vossas ruas, e os caminhos verdejantes vossos becos, para que pudésseis procurar uns aos outros através dos vinhedos, e ter o perfume da terra em vossas roupas.
Diga-me povo de Orfalese, o que tendes nestas casas? O que guardais nestas portas trancadas?
Tendes paz, a silenciosa necessidade que revela seu poder? Tendes lembranças, os arcos cintilantes que ampliam os vértices da mente? Tendes beleza, que leva o coração das coisas feitas de madeira e pedra para a montanha sagrada?
Contai-me, tendes estas coisas em vossas casas? Ou tendes apenas conforto e o desejo de conforto, aquilo que entra ardilosamente na casa como um hóspede, depois torna-se anfitrião e mais tarde proprietário?
Sim e torna-se um domador e, com ganchos e cordas, faz marionetes de vossos maiores desejos.
As suas mãos são de seda, mas seu coração é de ferro. Ele vos faz dormir, só para ficar ao lado da cama e ridicularizar a dignidade da carne. Faz pouco do vosso bom senso e o deposita sobre algodão, como um frágil vaso.
Na verdade, o desejo de conforto mata a paixão da alma, e depois vai sorrindo ao funeral.
Mas vós, filhos do espaço, vós, inquietos no descanço, não caireis na armadilha nem sereis domados.
Vossa casa não será uma âncora, e sim um mastro.
Não será uma cintilante atadura que recobre uma ferida, mas uma pálpebra que guarda o olho.
Não dobrareis as asas para passar pelas portas, nem curvareis as cabeças para não bater no teto, nem tereis medo de respirar para que as paredes não rachem e caiam.
Não vivereis em tumbas feitas pelos mortos para os vivos.
E apesar da magnificência e do esplendor, vossas casas não guardarão seus segredos nem abrigarão vossos desejos.
Pois aquilo que é ilimitado em vós habita a mansão do céu, cuja porta é o orvalho da manhã, e cujas janelas são as canções e o silêncio da noite.

Kalil Gibran
O Profeta

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